20 de mar de 2008

Desfragmentação do poeta

Poeta em pedaços,
pirata sem caneta, sem proa,
imprudente,
ensaiaste abortar o verso.

No ralo
o sumo de um grito
a raiva, a bile,
o soneto não expelido.
Estancas a seiva
que supre verdes dias,
o sangue, a dor diluída,
o sal líquido dos olhos,
os óleos petróleos
que irrigam labaredas.

(...mas uns sedentos
violam lentos
tua sala cirúrgica,
defendem futuros rebentos...)

Não temas
teu poema-diário,
teu confessionário,
teu bandido heterônimo.
Não temas
o anátema, o parto.

Desfragmenta os versos,
teus frascos de sonhos
quase amputados.
Costura o ventre
das abandonadas estrofes
ofendidas.

Teu verso quase extinto
não precisa de lápis, tintas.
É bisturi.

Um comentário:

Elliott disse...

destraida pra morteee...