18 de mar de 2008

Tango mal bailado

Ora somos simetria,
pernas e verbos conjugados,
engrenagens engatadas.
Um desejo,
uma coxa que te escala.
Pernas lascivas laceiam-se.

Ora bailamos um contra o outro,
marcha empurrada, ritmada,
batalha de contraditórios.

Casal de verbos
descompassados:
te machuco, tu caminhas,
eu caminho, me machucas,
me machucas-te.

Eu te conduzo, tu me conduzes,
deslizando círculos,
mil voleios,
espirais históricas,
felino passeio.

Tecidos mal contornam
os convexos da carne.
Carnívoros versos
deslizam, ruborizam
o bandoneon.

Uma caminhada purpúrea.
Una marcha roja.
Dois aromas que se mordiscam.
Tão emaranhados
que ainda entre batalhões
marcharíamos entrelaçados.

Pero
tuas passadas cruéis
perfuram minha harmonia
de corada face.
E já somos freios bruscos
no breu fosco do palco.

Há desencontro, desencanto.
Corpos formam cantos,
cantam sinuosos versos,
pés circulam sonhos.
Tangamos,
tombamos
em ângulo oblíquo
apontando vértices e sapatilhas.
Adagas e ganchos
perfuram o palco.
...
(Compasso de espera)
...
Sangra uma blasfêmia
entre os seios.
Tomba a rosa.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sou incapaz de comentar qq coisa que adjetive essas palavras escritas.

Tive que colocar uma música de fundo musical para relê-la...
Das tuas...a primeira que me fez sentir, a primeira que me tocou, a minha total identificação e sentimento.
Eu senti, eu vi. ( acho incrível as capacidades que as palavras são capazes de aguçar.)

É como um filme que vc vai assistir, e de repente se vê na tela...

Vc tem talento...

Mahijuana Clandestina.

Anônimo disse...

"Dois aromas que se mordiscam.
Tão emaranhados
que ainda entre batalhões
marcharíamos entrelaçados."

(Isso é bonito, e isso é forte demais. É pesado, é um átomo, um ato de total sincronia.)

Esse sentir, é para poucos.


Correr es mi destino, para burlar la lei ( Clandestina)