11 de mar de 2008

Mescalina II (ou Conversando com o Aldous II)

Abro pupilas, portas, peito.
Percebinfinitamente.

Salivo-te,
aspiro inspiro respiro
a baunilha, o leite.

Sorvo teu acre azeite,
ímpetos liquefeitos.

Bebo o olor dos pelos:
cidreira pisada.

Lambilentamente
em linhas íngremes,
percorre os pudores,
os cheiros.

Dez bocas
chamuscam a derme.
Dormem as pálpebras.

As notas tocam, disformes,
tangos, vozes, carnes.
São sussurros
tateando concavidades,
completando o blues.
São zumbidos
mal vestindo, arrepiando
os convexos.

O quarto
é um quadro expressionista,
ondas de Munch,
um disforme
gabinete de Caligari,
em cores.

Frêmitos
irrigam a carne.
Fusão, labareda espasmódica.
Ponto de ebulição
que percorre pernas, ventre,
enverga o tronco
crepitando.

Navegando em endorfina,
interna morfina,
o corpo canta.

5 comentários:

Bunny disse...

Sempre tive medo do Caligari, e essa imagem ficou perfeita aí,e muito bem colocada.

Bunny disse...

Sempre tive medo do Caligari, e essa imagem ficou perfeita aí,e muito bem colocada.

Anônimo disse...

Ou....tava lendo sobre a morfina hoje, depois daquele nosso papo, e vi e a origem do nome morfina eh grego, do Deus Morfeu, deus dos sonhos. Massa neh...daria uma bela colocação.
Ou de novo.....agora pega sua máquina de escrever, aluga um quartinho sem iluminação e sem encanamento, se anfia lá ao som de blues e tomando seu absinto. ( sim, vou adorar vc de 3 geração do romantismo)

HAUHAUHAUHA piadas a parte, adorei a saga da mescalina. Só espero q se vc achá-la no comércio divida um pouco comigo.
Beijos

PS: Eu sou a clandestina da tua irmã...

Anônimo disse...

Andou lendo "Äs portas da percepção"? rsrs
Beleza de textos! Esse então...
Adorei, minha linda.
Beijos

Elliott disse...

Salivo-te,
aspiro inspiro respiro
a baunilha, o leite.

Sorvo teu acre azeite,
ímpetos liquefeitos.


essa parte eh linda