18 de abr de 2008

Ampulheta

Relógio de areia:
fagulhas de tempo
que se deitam obsolentas.

Sonolentos grãos
de saudade cronometrada
quilometrada.

Nascente arenosa
sob envidraçada redoma
(siameses cálices):
A medida do sentimento preso
no tempo que falta,
no espaço que sobra.

Uns sonhos presságios:
pedágios.
Dissolvidos no Saara da ampulheta.

As mesmas dour'areias,
dos meus relógios,
das tuas praias,
que preguiçosas se esvaem.

2 comentários:

rosa disse...

Maravilhoso!! Como descrever uma ampulheta? nada poderia ser mais belo do que: "Sonolentos grãos
de saudade cronometrada
quilometrada", "obsolentas". Uma obra de arte. beijos

Eduardo Trindade disse...

Embora atrasado (estará minha ampulheta quebrada?), aqui venho comentar. Que belos jogos de palavras e que encantadoras imagens sob a areia que escorre! Adorei, guria, parabéns!