18 de abr de 2008

Cura

I

A noite
banha fria a febre.
Os tecidos macios do tempo
enxugam o pranto, a pele.

O nascente sol
dissolve, antiácido,
no estômago,
a dor mal digerida.

Doses diárias de cura.

II

Palavra
analgésica,
verso curativo.
Carícia morfinada
sobre a fina dor.

Um verbo
suturando a ferida
estancando a alma sangrada.

Um verso
que beija a face
sorvendo o pranto.

Só na poesia
um punhal é metáfora de papel.
Tu amassas e joga ao vento.

3 comentários:

julia disse...

cada vez eu gosto mais dos seus escritos
xD

Raiz disse...

como as tuas palavras curam...

cel disse...

curam e renovam

amor sem barreiras, sem fronteiras

amor de corpo e alma

te amo muito!