10 de abr de 2008

Silêncio II

Garoa...
fino lençol de silêncio
sobre a cidade.

Meu gole mudo
parabrisado
contempla na vidraça
teu silêncio garoado.

Garoa sorrateira, surdinosa.
Silenciosa,
não batuca nas janelas,
não troveja.

Desavisada.
Não escorre, não soluça, não deságua.

A garoa
é só esta mágoa
peneirada.

4 comentários:

Anônimo disse...

PQP....

Clandestina

Anônimo disse...

Ai....desculpe o palavrão, é q eu li...ai vim comentar. Mas tive e voltar lá e ler mais duas vezes.

Nem sei mais...
"A garoa é só essa mágoa peneirada."
Que tipo de pessoa sente isso?
Que tipo de pessoa escreve isso?
E eu q via a garoa só como uma água chata...me enxarquei desse sentimento.

Clandestina

huelén disse...

incrível como me sinto nas tuas palavras!


adoro as tuas brincadeiras desprentensiosas com as palavras.Fluem e me enchem de sentimento.

rosa disse...

Sempre difícil comentar à altura. Mas este está fantástico... a garoa, como a chuva peneirada - a mágoa ...êta retrato fiel da angústia paulistana, do vazio avolumado de pessoas, do silêncio barulhento, do barulho que não significa nada. beijos Thaís