11 de abr de 2008

Silêncio III

O sol range,
ergue-se à manivela,
enferrujado, cinza-alaranjado.

Motores respiram,
carbônicos.
Buzinam neuróticos.
Brutas britadeiras
mordem o magma do asfalto.
Manhã maquinando
desafinada.

Entretanto, ao meu redor
emudeceram
o maquinário, a britadeira,
as frigideiras, as buzinas,
os camelôs, o sol.

Ouço só seu silêncio.
Sintomático
sinestésico
amnésico
silêncio
...

3 comentários:

rosa disse...

Complemento da garoa, o sol sob a poluição, a poluição sob o asfalto e a brincadeira agora não contradiz, mas qualifica poeticamente, a bruta britadeira, as buzinas neuróticas, as máquinas - todo o barulho cosmopolita que ainda permanece sem significado. Uma poesia epifânica, dessas que a gente se reconhece até no ponto final. Beijos Thaís

julia disse...

gosto tanto de paradoxos
(l)

Leila Saads disse...

Você escreve bastante einh? Tva até conversando com a Cel esses dias, ela tava me contando um pouquinho dessa sua paixão!
O silêncio em meio a cidade. Esse encontro é para poucos...
Beijo!