9 de mai de 2008

Baile de Más-caras

Mentira:
Máscara aveludada
que brinca no baile.
Brinda os medos,
embebeda.

Más caras,
ocultadas finas damas
mesclando verdades.
Faces sem olhos.

Caricatos falsos risos
embaraçando as serpentinas.
Trançando tramas,
tramando rimas.

Mentira:
Orgia mascarada
nas sombras do jardim.
Falsas peles suadas,
sintéticas.
Embebidas em gim barato,
perfume chinfrim.

Ácida,
derreto os panos,
desnudo rostos.
Faces azuis cadavéricas.
Tolas piritas
desfantasiadas.

E cubro meus olhos,
máscara de cetim.
Deixo nua a boca:
para teu beijo
de mentira.

3 comentários:

Elliott disse...

melopéias e perfumes chinfrins...

muito belo o poema...
desnudo... visceral...

Delirium disse...

Gostei do poema, da associação de máscara com más caras...
Creio que todos utilizem de máscaras ao longo da vida, mas muito talvez sejam para encobrir suas reais más caras.
Gostei do blog. Voltarei e parabéns.

Salve Jorge disse...

Mentira
Caso desfiras
Abra feridas
Ou cicatrizes
Caso prefiras
São muitas matizes
Subsumidas
Marcas das partidas
Te disse que partiria
E partira
Mas não haveria
Na verdade
Essa vaidade
Apenas mascaras
Caras marcas
Em que embarcas...