5 de mai de 2008

Sede

Mirar-te,
disparar de meus olhos
flecha flamejando
salivante desejo,
despido, despudorado.

Ser adaga salivosa
cravando-te tetânica infectante,
absorvendo a carne,
contaminando-te:
minha peçonha doce
em tua pessoa.

Ser lança lírica
deslizando alcoólica,
ferindo-te deliciosamente
de minha arma amorosa.

Libidinosa.

Queimar-te sedentamente
em meu corpo, chama tremulante,
queimar-te vivo,
ávido, lascivo.

Beber-te
libertinamente.
Para sermos nascente,
desnudos, estáticos, mudos,
deitados sobre lençóis freáticos,
deleitados.

Levar-te em meus rios,
abraçar-te dormente,
com meus braços galhos afluentes.
Infinitar teus ébrios sentidos
em minhas águas fluentes,
ceder, calar a sede,
ser em ti
fonte infinda.
Ser-te.

10 comentários:

julia disse...

acho q vc é a pessoa
q eu conheço
q mais sabe finalizar um poema..

sinto sempre uma pontada ao término

Leila Saads disse...

Essa sede matada com tanto ardor, com tanta necessidade, tanto desejo, fez a força do poema.

Beijo grande, Yara.

*Concordo com a Júlia. =]

cel disse...

infinita sede de amor


sou tua fã neguinha!
(sua cabulosa!)

Salve Jorge disse...

Eu queria tanto te devorar
Esgotar todo o seu mar
Entranha-lo no meu suspiro
Porque tudo que aspiro
É esse delírio de você
Estando sempre à sua mercê
Percorro o abismo dos teus lemas
Assim como desvirtuo suas vontades
Refazendo incertos esquemas
Pra decantar minha assiduidade
E você verter
A cada traço da minha sinuosidade
Não por merecer o teu tema
Ou ser "u" pro seu trema
Mas por ser receptáculo convicto
Do impacto da sua magnificidade

É que essa minha fome
Que começa pelo teu nome
E sobe pelas suas coxas
Deixaria as carolas roxas
Assim como deixa esse fauno insone
Porque esse desejo tanto me consome
Que sinto-me como os trouxas
Com suas vontades frouxas
Hipnotizados pelo alheio
Sem saber de onde veio
O que os atingiu

E ao me atingir
Fizeste emergir
Toda essa entropia
Que igual nunca se viu
E me cativa
Cativo
Oferenda viva
À Deusa que venero em você
Me sirvo
Numa bandeja
Para lhe devorar...

Salve Jorge disse...

Eu sempre me prosto diante de quem porta a arte de dizer "inté".. risos.. fique certa que a lisonje é toda minha, minha cara.. estou sempre atrás de iguarias raras.. e se quiser, podes sempre pelos meus lados molhar a garganta.. se quiser ainda mais saliva na prosa, podemos msnzar.. risos.. enfim.. como já dito, prazer todo meu.. beijos e inté...

Pinky disse...

Eu até fiquei com sede...
lindo poema da menina mais linda que eu conheço
bjos
:*********

Violeta disse...

Qualquer coisa que eu pense será um ruído numa hora dessa tão...!
.
Muito lindo
.
Vou linkar você também !
.
Beijos

Antonio Araújo Jr. disse...

hááááá
essa é a sede de verdade!
Quanto mais certeza eu tenho que mato, mais certeza eu tenho que ela não morre...

Força!

julia disse...

adorei o q vc colocou lá
xDD

Elliott disse...

Mirar-te.
Ser adaga salivosa,
ser lança lírica,
libidinosa.
Queimar-te sedentamente,
beber-te.
Levar-te em meus rios,
ser-te.

:)