18 de jun de 2008

Sinestesiada

Aquela saudade doce
melanciada,
vermelha ardia na boca.

O sal dos olhos despedidos.
Alagados olhos,
das mesmas muitas cores
dos mares alagoanos.

(meu calor caribenho)

Perfume
das tombadas carambolas no pomar
rompendo, derramando
amarelamente úmidas
no húmus.

A saliva apimentada
nos lábios.
A cachaça melada,
o mel dos corpos.

A textura branca de jasmim:
aroma preso na pele
arrepiada do frio.
É dia garoado
sob os cobertores.

Subitamente sinestesiada
a inodora, insípida,
anestésica vida.

5 comentários:

fênix disse...

Que lindo!
Saborosamente lindo...
Beijos

Rafael J. Albuquerque disse...

Essa tua saudade que deixa um gosto saboroso nos olhos de quem a lê, bela saudade, saudade linda.

Thiago Baptista disse...

Gostava mais do "layout" do site com aquela imagem do tango. Acho que tem tudo a ver com vc...

No mais, poemas lindos, como sempre. :)

\\//

julia disse...

agora entendo um pouco sobre saudade
hiihihihi

H.Hora disse...

Quantos gostos, quantas formas, multiplas formas de sentir...aquelas coisas entre real e irreal.
A saliva apimentada nos lábios é o desejo forte.

saudações para a poeta....
e para o chaplin q te cuida agora.

veja depois o meu outro eu.