20 de out de 2008

Ato

Ata-me:
meus pulsos em tuas rimas:
nós poéticos.

Ata entre teus dedos
os tensionados fios
dos meus cabelos
dos meus medos.

Ata intenções ao meu ouvido
e sobre os olhos a máscara de breu:
o obscuro verso teu.

Atemos bocas e braços:
nossos átomos
em ligas covalentes.

Ata a nudez da tez
em teus dentes
vampíricos, ateus.
Contorna rente o tronco.

Ata os laços oníricos.
Num ato,
costura nossas carnes
com tuas palavras e unhas.

Atemo-nos
num desacato ao recato.
Amarremos os ritos
em noturnos panos.
Atuemos.
Dolorosamente.

12 comentários:

Raíza Rocha disse...

...Ata-me a ti
e estou segura...

*** Cris *** disse...

Ata minha mão na sua, hoje é tudo o que preciso...só uma mão amiga, mais nada...
Um abraço!

1 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
GrandeGod disse...

Lindíssimo.
Adoro seus poemas... sua(s) química(s)!

1000 bjs

• predicativa disse...

A sombra costurada
ao chão
anda
não saí do lugar.

Jr. Magal disse...

Maravilha poder ler você pela primeira vez...
muito bommm...
obrigado pela visita aos tietês!

J.F. de Souza disse...

Plenamente
atento
ao
ato
no ato
estupefato
estou

atado

Thiago disse...

ato-me às tuas palavras e fico aqui pensando, que bom que a gente tem a gente :)

Sandra Regina de Souza disse...

Me amarrei nestes versos
agora verto...calada:
rimas atadas
aladas
nada.
belo ATO.
beijos

Leandro Jardim disse...

gostei mesmo desse poema, belo jogo de som e sentido!

abs
Jardim

Sabrina Sanfelice disse...

Lembrei de uma das minhas músicas preferidas da Bettie Serveert, chamada Attagirl.

Seu blog é doce como açúcar. E, assim como essa substância deliciosa, vicia.

Beijos

Bunny disse...

PUTA QUE PARIU!
Perfeito
Me senti na cena.

Beijos
Amo-te