8 de out de 2008

Ouvres-toi

Abre-te.
Escancara o odor
de tuas pétalas.
Abre teus sésamos,
teu âmago esfíngico,
que eu finjo decifrar.

Abre-te.
Rasga, a dentadas líricas,
a boca do silêncio,
a caixa do tórax.
Despedaça
as cascas, as vidraças,
perfura a armadura.

Abre
tuas vias: férreas artérias.
Libera os pedágios.
Sê erosivo
em teu vivo rochedo.

Abre-te.
Sê fresta, des-tranca.
Desabotoa chuvas guardadas.
Segredos envelhecendo
em garrafas sem safras.
Destrava. Derrama.
Dá-me a chave.

7 comentários:

J.F. de Souza disse...

"Desvenda-me
Abra os olhos
desse pobre falso cego..."

Nem tem muito a ver com teu escrito... Mas me fez lembrar este escrito meu: "Subentenda-me"!

=*

Raíza Rocha disse...

" Destrava. Derrama.
Dá-me a chave"...

lindo.

Thiago disse...

Dá-me a chave
destravo-te
derramo-te
desabotoa-me
guarda-me
tranca-me
fecha-te!

• predicativa disse...

de uma beleza assustadora.

Hamyata disse...

e te perguntas, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

;)

*** Cris *** disse...

Olá, bom dia!

"Destrava. Derrama.
Dá-me a chave"
Que eu entro e (des)arrumo td.

Bjs!!!

Bia Pedrosa disse...

escancara que entro nua para deixá-lo coberto...