29 de nov de 2008

Caverna

Teus dedos estalactites:
a gruta em gotas,
taciturna gruna.

A recôndita abriga-te,
derrama em tuas mãos
uma densidade cega,
orgásmica, ígnea.

A concavidade
de úmidos espele-óleos
guarda uma oceânica hipérbole,
um segredo de sal,
solidificado,
calcário.

Tão imenso
que cabe em duas letras:
tu.

6 comentários:

J.F. de Souza disse...

Muito interessante, sim...

(Talvez eu volte, o releia e comente outra coisa depois...) =)

=*

Antonio Araújo Jr. disse...

Coisas imensas couberam em palavras pequenas, letras pequenas... a magia e o prazer do fazer caber!

Henrique disse...

recomento:
http://labirintocris-tal.blogspot.com/

vc é poeta, viva! Vivo!

Eliana Mara disse...

Gosto muito mesmo!


beijos

Ricardo Valente disse...

Sensual... diria erótico (tesudo) Bom, muito bom! Beijo!

Cel Bentin disse...

estreito de não ficar distante nunca. delicioso o texto, a abertura e o desfecho.

(teus escritos fazem mais urgentes as ausências na estante. quando publica? ou já tem algo rodando pelas feiras/librerias?