5 de dez de 2008

Subversos (Ainda)

sob
unhas roídas famintas, sob
as chagas gangrenadas, as não suturas, as in-curas... sob
as sedes desérticas, as desjardinadas rosas, sob
as engrenagens deslubrificadas, as desarranjadas ruas metrópoles, sob
os viadutos escorbutos brutos, sob o luto, sob
o sujeito oculto da oração imper-ativa, sob
o vento aromado na face, a aurora, o árido, sob
o amargor líquido dos dias, as digitais dos calos, sob
os ralos gástricos, as reles marcas feridas, sob
histórias relidas idas, as rotineiras lidas, sob
o cheiro ainda vivo vindo das matinais padarias, sob
teus olhos narizes bocas rugas vítreos

duelam dialéticos
a rima triste do meu tempo
e a por vir poesia

8 comentários:

Grã disse...

Rôo, seu verso
como cão no último osso.
Esboço possíveis pífias respostas,
prá te devolver a impressão
dessas palavras
estratificadas estruturas
que ruem ao próprio som.

Triste a rotina de um
sub-poeta que busca em
subversos de alguém
não ser outrém.

;)

Adoro seus versos!

R. Avancini disse...

Oi!

Subversivo isso...
Gostei muito daqui, virei sempre...
Posso linkar-te?

Elliott disse...

O poema sente
a falta da métrica
do milímetro
atraversado.
Sente tanto
pelo amargor
líquido dos dias,
pela triste rima dos tempos.

e a poesia por vir
roí as unhas
diante das desjardinadas rosas,
da sede desértica.

Imóvel
a mão estanca
os versos,
não ousa deslizar
sobre o papel.

e o poema -
suposta dialética
primaveril -
fica entre o dito
e o não dito,
entre a boca calada,
e a voz distante
desconhecida.

e eu,
preso em tuas rimas,
enredado em teus cabelos,
ato-me.
Em desacato a tua carne,
tua palavra e tua unha.

Raíza Rocha disse...

versos subversos
atraversantes....



cortantes

Sandra Regina de Souza disse...

subversivos versos... subcutâneos... instantâneos... falam e ferem... (poema maravilhosamente sensível! nem sei o que dizer!!!) beijos

Fênix disse...

Quando leio esses versos,
tenho vontade de parar os meus,
tão pobres que são.
E só ficar lendo os teus.
Beijos. Te amo.

J.F. de Souza disse...

que a poesia prevaleça
não será suficiente
pra que tudo o mais
se subverta

Rodrigo Mesquita disse...

Subversos que não subvertem, mas subvertem-se em meio à tensão que nos provoca. Adorei! Linkar-te-hei se deixardes.

Ps: nem sempre falo assim, mas sei lá... nem sempre sou onde nem sempre estou, não é?