9 de jan de 2009

Ciano

Às vezes
viver é um porre.
Uma dose ácida de vodca.

Às vezes eu bebo um blues
anestésico,
meio anil, meio ciano.
Às vezes me engano.

Às vezes
a falta de afagos
me afoga.
E viver é uma adaga.

Às vezes
viver é dose.
Etílica, posológica.
Um drink de dúvidas.

Às vezes
viver é um copo
de cianureto.

10 comentários:

J.R. Lima disse...

às vezes, viver é morrer aos poucos. mas quem não?

Ariane Rodrigues disse...

E eu me embriago nos teus versos... Quando virá a próxima dose?

Abraço!

fred disse...

viver pode ser este veneno
embriaguemo-nos

gostei.
beijos

Raíza Rocha disse...

...viver é uma alegria que dói...

e, algumas vezes,

uma embriaguez que entedia.



mas vivo, insistentemente!

Natália Nunes disse...

que lindos os versos que vc me deixou no último post! obrigada :)


ah, viver as vezes dá náusea - mas passa.

Sandra Regina de Souza disse...

Veneno que abusa
pode ser pleno:
numa dose de cicuta

Pavitra disse...


às vezes, [ab]sinto
agulha na via... na vida.
fecha a garganta e o grito
na falta de horizontes
e excessos de infinitos...
outras vezes as mãos, por isso,
[atra]versam sobre o corrosivo
e daí a leitura vira vício [bom!] rs

H.Hora disse...

Aquele gosto amargo de noite desfeita.
Feito pesadelo, feito a ressaca.
A vida geralmente nas segundas.
É uma dose sem gelo,
de whisky vagabundo.

Espírito Livre disse...

É, viver às vezes é dose. Até de cianureto. Mas acordar em manhã de sol sempre me lembra que tudo pode ser cerveja gelada, sem medidas, sem doses.

Priscila Milanez disse...

Belo texto!!!