2 de fev de 2009

Poente

Lentas nuvens embebidas
absorvem as cores
derramadas pelo sol.

Esta tanta tinta poente
de quentes tonalidades oleosas
esparramados purpúreos lilases
acastanhados ocres.

Escorre pelo vão das montanhas
o pigmento tão magma
enigmático
deste instante.

E eu persigo
a última pincelada de sol
caminhando ao horizonte
para rever o rei posto
o ouro líquido
escorrido
no ralo
do vale.
Inutilmente.

Contemplo então
o pingo que sobra
das muitas tintas solares
em teus olhos multicores.

E sinto ainda
queimar em mim
o sol posto.

18 comentários:

Pinky disse...

Foram tantos sóis...
Um pôr um...
Colorindo o céu
Escurecendo as estradas...

Beijos
:***

Caranguejúnior disse...

neste fim de tarde,
ler um poema deste é divino...
aquece a alma...

Mary disse...

linda imagem! adorei, yara! :*

fernando disse...

essas
três linhas
que caem
no pôr do seu poema

é tudo
o que ainda-não...

Cosmunicando disse...

na última pincelada, o toque da poesia queima em nós

Thiago disse...

crepúsculo?

J.F. de Souza disse...

Contemplando a beleza... =)

=*

Alex Pinheiro disse...

Muito bom,,, uma belíssima imagem do que está acabando/acabou,,,

Sabe que me vejo insensível para com o universo; beeeem insensível!
Admirei por demais da conta mesmo foram as palavras usadas e a letra escrita,,,
Tenho medo do mar,,, Ah, isso eu tenho! rs

Bjs e observadas invenções!

adrianna coelho disse...


lindas todas as cores
que sol põe sob as pálpebras!

beijos, yara

Jaya disse...

"E ainda sinto
queimar em mim
o sol posto".

Orgástica, a sensação que teus versos causam. Dizer que é lindo, seria xingar, de tão imensa que a boniteza se faz.

Poesia, você é.

Te beijo.

Miguel Barroso disse...

fiquei fã.


Abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO

• c disse...

Semiótica
que desbota
quando a treva
ganha da luz.

Tempestade disse...

"Escorre pelo vão das montanhas
o pigmento tão magma
enigmático
deste instante."

Contemplação....

Beijos Tempestuosos!

Ricardo Valente disse...

Queimam teus lábios, porque não tiveram sombra! Beijo! Ótimo!

Salve Jorge disse...

Ao sol
Que tal qual anzol
Nos prende
E apreende
Desse alpendre
Nos acende
E incendeia o hall
Em cores postas
A vista belisca
Enquanto te encostas
E mordes a isca...

Múcio L Góes disse...

um poema lindo.

fecho sensacional:

"E sinto ainda
queimar em mim
o sol posto."

Renata (impermeável a) disse...

descriçao amante... da mellhor e mais linda hora do dia........

Marrí disse...

Ardente
mesmo ido

Quente, o sol posto.