26 de fev de 2009

Quarta-feira

Findo o carnaval.
Descansa
teu dorso deitado,
teus nus edifícios:
vértebras irregulares no horizonte.

Tento, entre tantos ruídos,
auscultar o silêncio
do teu peito de concreto.

Em teu colo
angulosamente esculpido,
tua cútis cactácea,
tão cuspida, tão estática,
busco curvilínea sensualidade.

E ainda que cinza
esta quarta
(como tantas)
ainda que tão concreta
tua pétrea carne,
sinto teu movimento
de respirar.

12 comentários:

*** Cris *** disse...

Olá,td bem?
Mesmo entre cinzas há belas palavras que inspira um coração. Linda a poesia.
Bjs!

Marrí disse...

inspiro junto, seu ar°

J.R. Lima disse...

será assim que este concreto todo desperta para um novo dia após outros dias?

fernando cisco zappa disse...

puxa!

caramba!

aqui tá bom de gostar
de poesia
viu?

evoé!

Jaya disse...

Não soube comentar, dessa vez.
Posso ficar muda, e apreciar?

Yara,

Toda vez que escuto João e Maria, lembro de você. Engraçado, isso.

Beijocas de saudades.

Raíza Rocha disse...

quarta-feira com cinzas
é dia de lavagem.
Com o dorso inclinado,
em silêncio,
lavo a tua alma.

oxalá.

Cosmunicando disse...

silêncio de olhar, quietude, descanso... poema da passividade, lindo.

Sandra Regina de Souza disse...

Eu nunca tinha feito ligado o cinza da quarta-feira o concreto rotineiro dessa minha cidade... Amo tanto!! bj

Luana Ferraz disse...

Fim do carnaval e a vida real nos espera. E retiramos um pouco do nosso eu, para colocar a fantasia cotidiana. É que no carnaval a gente extravasa e deixa seguir o que de verdade nos pertence...

Adrianna Coelho disse...


putz!

muito bom, yara!

beijos

Paulo D'Auria disse...

"vértebras irregulares no horizonte.

Tento, entre tantos ruídos,
auscultar o silêncio
do teu peito de concreto"

10!

Beijos,
paulo

Anônimo disse...

Ela,
Carnavalesca,
brilha de longe
Desatina,
Hipnotiza,
Ofusca,
minha quarta-feira de cinzas.



PS: vc não leu esse meu verso, ai eu cansei da poesia barata, do verso padrão...e fui ser lira em outra constelação.