15 de set de 2009

Tango

Um tango sempre morre.
Um tanto, no entanto,
escorre.
Coagula sobre o palco.
Plaquetário. Ordinário.

O tango com a rosa
entre dentes, entre tantas,
morre.
Entretanto,
baila tonto nas entranhas,
descostura entrelinhas tênues
e arreganha a saia.
Salta a perna
que desliza
em ângulo agudo.

Contudo,
ainda é tango
e sempre morre.
Uma entranha que escorre.
Hemorrágica
pelas pernas.
O rímel pelos olhos.
A grafia é tanto sangue
que transborda.

Tudo escorre.
Só se estanca
quando grudam
nossos troncos, nossas ancas.

Cada passo que sutura
uma n’outra
as entranhas
é desestranhamento,
acoplamento,
cópula.

No entanto, é tango.
Sempre morre.
Morre em sangue.
Morre em sêmen.

Escorre.

8 comentários:

J.F. de Souza disse...

Yara! Mulher! ADOREI esse aqui! Tá ESPETACULAR!

PERFEITO!!!

leila saads disse...

E eu sempre digo isso né, Yara... Um tanto de tempo sem atraversar por aqui e você é só evolução toda a vida.
Perdi o fôlego com o tango e o amor e os corpos que se invadem e se grudam mas que, no fim, sempre se separam... Ainda é tango, e sempre morre!

Um cheiro, flor! Obrigada pelas belas palavras nessa madrugada!

=*

Fernando Costa disse...

Incrívelmente Belo.

Por um instante, meu veio um Bueno Aires nas veias e Piazzola no coração.

saudações fraternas...

Raíza Rocha disse...

sempre morre...

transborda e afoga os amantes distraídos.

beijos

lau siqueira disse...

coloquei teu belo tango para bailar no poesia sim...
poema regido pelo ritmo da concisão e pela concisão do ritmo. maravilhoso. parabéns. tomei a liberdade de publicá-lo no meu blog, espero que não se oponha.
aBrossa! :)
Lau

Alex Pinheiro disse...

Caramba! Bem bunito!
...
Estava revirando meu blog e acabei num presente sem caixa que você me ofertou no amigo secreto do B7C,,, fiquei pordemais de feliz e vim me surpreender aqui...

Obrigado, mais uma vez, Yara!

Bjs e geniais invenções!

Cavaleiro Andante disse...

Atravessei e gostei, kd mais?

Aline Aimée disse...

forte, sempre!