14 de out de 2009

A poesia
acumula na mobília.
Nos cílios em vigília.
Poesia em pó
salpicada sobre os livros,
tapando narinas.

Poesia cocaína
que eu inalo
branca e pura.
Inalo o vício
peneirado, açucarado.
O refino.
O resquício
que a cama exala
pós polinizada
pelo pó
da poesia.

O pó sépia,
poeira pífia,
insípida.
A poesia rinite
que eu tusso
retinta
no lenço.

Faxina. Narina. Cocaína. Fina...

Aspiro carreiras
de rima pobre
em pó.
Industrializada.
Apenas poesia sinterizada.
De poeta
aspirante.

17 comentários:

Aline Aimée disse...

Eu acho sinceramente que vc deveria ser publicada tb em livro e alcançar multidões!
Poesia é pra solitários, eu sei, mas me emociona a "suculência" dos teus versos.
Uma das melhores poetizas da atualidade, que me inspira e que eu leio com um prazer imenso!

Cosmunicando disse...

black mamba, de aspirante esse poema não tem nada... é pirante, muito bom :)
bjos

leila saads disse...

Se existe um bom vício bom é este.
Beijo!

J.F. de Souza disse...

Do pó
à Poesia

E
de novo
ao pó
-------------------------

Yara! Linda! Mto bom, isso aqui! =)

E concordo com quem se manifesta a favor de um livro teu! =D

=*

Sandra Regina de Souza disse...

Simplesmente entorpecedor! bjos

Elcio disse...

Q inveja de n te escrito esse poema...rsssss

Adorei.

É isso aí.

Bjs e ótima semana.

Salve Jorge disse...

Pegue a poesia
Com sua ímpar maestria
E veja como varia
Se a via você mudar
Do pó
Só ao pó
Pode voltar
Mas hoje não e esse dia
Então é melhor esse exscrever dichavar
Destrinche-o pela mesa
Depois reconstitua-o com beleza
Restando-te a fineza de fogo lançar
E com as idéias esfumaçando pro alto
Perceberás que um instigante pensamento incauto
Logo há de assomar...

Joel disse...

Poseia linda ,de leitura muito prazerosa.
Parabéns.

laerth motta disse...

um tiro de bom brilho

Eduardo Trindade disse...

Muito bom, guria, muito bom mesmo! Eu fui me viciando nas tuas palavras à medida que lia...
Estes versos aqui, particularmente, são o ponto alto do texto, talvez até eu imaginaria terminar o poema com eles:

(...) A poesia rinite
que eu tusso
retinta
no lenço.


(Apesar da bela "sacada" que é a referência a poeta aspirante. Seríamos todos nós aspirantes?)
Abraços!

Luciana Marinho disse...

........corpo.............
...cor...pó.........
....partículas luminosas........
..........coloridas...........


poesia

costa capillé disse...

Pó-ético: o maior dos vícios.

J.F. de Souza disse...

Já tô com saudade de coisa tua, moça Yara... =)

=*

Elliott disse...

humm... é o vicio do verso! kkkkk
muito bom

J.F. de Souza disse...

Hora de cobrar poema novo. De novo. =)

=*

Joana Masen disse...

Se poeta aspirante nada tens. Perfeito. Meus cumprimentos.

Ianê Mello disse...

Olha, Yara, te digo com sinceridade, se todo poeta aspirante escrevesse assim de forma tão intensa e utilizando esse jogo de palavras com tanta propriedade...

Você não tem nada de aspirante, menina!

Parabéns!
Beijos.