14 de dez de 2009

sider urge

Dispostos em pilhas
os novelos metálicos
aguardam.

Serão tricotados
os fios de aço.
Tecidos em telas,
treliças tantas.

Serão costurados
nas entranhas de muros,
serão estruturas
suturando concretos.

A trefilaria
fia o fio.
Desafia
o sol de aço.

A solda,
ponto a ponto,
ata a trama
de arame estriado.

O suor ácido
é destilado
na aciaria
dia a dia
em turnos
ininterruptos.

Acaba o café.
O aço-carbono
vira sono.

Regurgito
o gole siderúrgico.
Cogito dias
menos sujos.

Ainda em novelos
o aço aguarda.
Em silêncio.
Linha parada.

É fio imaginário
trefilando
as estruturas dos sonhos.

19 comentários:

Grã disse...

Se sonhos de aço tem...
dividir meu espaço, vem!

Elliott disse...

psicodélico de/puro(a) aço.

Elliott disse...

seu blog tah cada dia mais lindo!
:~~

J.F. de Souza disse...

me refugio
do mundo
louco
num
sonho
concreto

-----------------------------------
Esse é um dos "antigos" que vc mencionou? É muuuuuuuuuuuito bom, mulher! =D

Creio que não havia chegado a ler este antes...

Natália Nunes disse...

"sol de aço", gosto disso :)

vc faz umas coisas tão bonitas dos meus textos... obrigada pela presença!


um beijo.

Raíza Rocha disse...

teus escritos sempre me atravessam...

voltei com o "Ela desatinou"... desatina por lá, visse?

beijos

Antonio Araújo Jr. disse...

eba! yara! sim, o ano e eu nascemos juntos, irmãos gêmeos, trefilados e entrelaçados feito seus fios de aço.

tenho uma proposta pra te fazer, que fiz tb pra leila, mas vc mora onde? cheiro

Ana Cecilia Reis disse...

construção.

J.F. de Souza disse...

O EscúchamePorra tava com saudade de vc, viu? =)

Valeu! ;)

=*

Ianê Mello disse...

Muito bom!

Vim agradecer sua visita e adesão ao meu espaço,

Gostei muito de seus poemas e passo a seguir-te.

Beijos.

Cesar Veneziani disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cesar Veneziani disse...

o fio de aço
em treliça é grade
no verso que faço
a palavra é alarde
e voa e passa

Camila Lemos disse...

Que negócio bonito,viu?
Obrigada pela visita,minha preta...Aqui o seu espaço é vivo!

Um beijo.

Mariana Botelho disse...

uau!

Antonio Araújo Jr. disse...

a ideia era escrever poesia nos classificados do correio braziliense... quatro pessoas, uma em cada semana...
já somos duas pessoas e já fizemos duas vezes ó

http://colibripolicromo.blogspot.com/2009/12/entre-misticos-e-perifericos.html

http://lagartoleta.blogspot.com/2009/12/classificados.html

ia ser bonito ver sua poesia também no único espaço mais ou menos livre que a mídia impressa tem...

.Marrí Franco. disse...

... o que eu digo?
Fito apenas.

J. disse...

Por alguma razão, lembrei-me de um poema do Vinícius de Moraes que li há muitos anos e que falava sobre coisas que aconteciam no espaço de um beijo de um minuto. Tocante, como teus versos. Obrigada pela visita em meu espaço. Sinta-se sempre em casa.
Beijo grande.

alex pinheiro disse...

Pensar que vivi chão de fábrica durante uns 5 anos, rs... Sua letra faz parecer suave,,, a verdade é que detestei (o chão da fábrica, rs), uhuhu

Bjs e siderúrgicas invenções!

Pinky disse...

lendo teus poemas me faz ter mais inspiração!!!