31 de mar de 2010

Sensoriais

Há que calçar
luvas e meias de formigamento,
romper a trincheira cutânea.
Tatear.

Há que sentir
a pasta chocolatinosa no estômago,
as ondas elétricas
pelas fiações dos nervos
até os dedos.

Há que ver
através do parabrisa
as luzes úmidas da cidade
pinceladas por Monet.

Dançar
um tango sob esta chuva,
melodia escorrendo pelo dorso.

Há que sentir
o aroma herbáceo da manhã,
um filme com cheiro de alecrim,
uma garoa sobre as folhas de ficus.

5 comentários:

Grã disse...

e, se ainda assim:
Calçada,
Rompida,
Tateada,
Digerida,
Vista,
Dançada,
Chovida,
Cantada.
Se ainda assim
Escorrida,
Sentida,
Amanhecida,
Cheirada e
Garoada.
Se ainda assim
te parecer faltar algo???

J. disse...

Pungente, latente, berrante.

Lindo!

Beijo.

Eduardo Trindade disse...

Que lindo! Quem disse que viver é fácil? É preciso seguir em frente, sentir "o apertado aroma que ascendeu da terra" nas palavras de Neruda. O conforto fácil é algo que simplesmente não conforta.
Abraços e feliz Páscoa!

J.F. de Souza disse...

às vezes
sinto
muito

Sylvia Araujo disse...

Há que viver. Viver, viver, viver.

Lindo, Yara.

Beijoca