25 de mai de 2010

Fim

Eu Medéia.
Eu Joana.
Eu todas as éias e anas
entre tantas
desenganas e desidéias.

Eu engulo seco
o abandono.
Planejo fria uma ferida.
Coagulo.

Eu calculo
teu seno, teu quadrante.
Injeto
tangencialmente
meu veneno.

Basta um dia
e eu Joana jorrando
Joana tangente
pungente
rangendo dentes
insiro
a cicuta.

Eu mato
Jazão,
a prole,
o não.

Eu firo
e prefiro
assim
o fim.

6 comentários:

costa capillé disse...

carácolis!
mandou muito bem!

tem, você, poeta preferido?

Sylvia Araujo disse...

Yara, esse poema é perfeito. Em métrica, em ritmo, no pulso firme da emoção - a razão. É inteiro, cheinho de pedaços. E quem não é?

Excelente.

Beijoca

Raíza Rocha disse...

um dos mais belos que já li.

J. disse...

Quem dera fosse fácil assim terminar as coisas...

Elliott disse...

fenomenal! Infelizmente os melhores poemas são nesses momentos. Porém felizmente um dos melhores poemas que eu já li de todos os poetas conhecidos ou desconhecidos.

abraço amiga.

JPM disse...

Olá,
Tive contato com o teu blog no da Adriana Karnal-Poemas.
Agora vim conhecê-lo e seguí-lo.
Desde já és convidada a visitar o meu.
Saúde e felicidade.
João Pedro Metz