5 de jul de 2010

O Carnaval

Ele não era poesia.
Era apenas um carnaval.

Uma festa sexual
colorindo sua carne,
um pecado úmido de vodca,
um beijo de morango e gengibre.
A máscara de um sorriso
pintada na boca.

Deixou um rastro,
um resto de fantasia,
um perene desejo no ventre
(de samba, de orgia).

O Carnaval regressou,
quartafeiroso,
já sóbrio
como um dia trabalhado.
E fez, fora de época,
múltiplos sons
jorrarem da epiderme.

Ele era apenas um carnaval.
Mas ela,
de repente,
desejou que o carnaval
se prolongasse,
serpentinamente.

4 comentários:

Antonio Araújo Jr. disse...

Oi Yara!
que bom poder ler seus versos de novo.
muito obrigado pelo comentário.
o projeto de publicar poesia nos classificados ganhou forma e virou o "versificados"... vários estados do brasil entraram no movimento.

colocamos tudo nesse blog www.versificados.blogspot.com

Cel Bentin disse...

não sobra cinza alguma (de palavra); não atravessa o ritmo, atraversa alto as vistas. muito gostosa a tua linha. valeu!

J.F. de Souza disse...

querendo que volte
das cinzas...

rafael Costa disse...

Mas se a euforia do carnaval se transforma em amor e a serpentina se põe por terra vencida?

Estou gostando do que leio.

Beijos,

Rafa