25 de ago de 2010

Sobre Flôres

A pré-cisão da fabricação do verso.
Funciona.

Um sempre dizer amor
até quando o amor não ama mais.
Um acender e apagar de estrelas.
Matutinas? Vesperais?
Apenas versos breves de açúcar,
brevidades no café...

No cálice:
Vodca engatilhada? Lágrima decimal?
Expressão de sim e não.
Platônica paixão:
amor-ideia morando na palavra,
nos repentinos repentes.

Em ti
li flores
(ora rosas de mercúrio,
ora ensolarados jasmins).

Por vezes,
mesmo em flor,
li o sangue talhar no semáforo...
E tuas mãos cintilando,
aparando as cores do poema que escorre.

Se te levo no peito
(Flôres na lapela),
a ti separo uma rosa
(esta)
que declare guerras e amores.

10 comentários:

Leonardo B. disse...

[o tambor do peito é composto (e)ternamente de guerra e paz: declarações, são poucas, nadas, nem demais]

um imenso abraço, Yara

Leonardo B.

leila saads disse...

Nossa, Yara,
Me tocaram muito seus versos, vou espalhar por aí.

:*

Caranguejúnior disse...

Muito bom!

abraço!

Elliott disse...

Lindo!
Fiquei emocionado agora...
:~~

João disse...

"Sobre flores" nem tanto quanto, talvez... sobre poemas. Faz lembrar um personagem aí que pensava não amar certa mulher, mas, ao dizer "Te gosto", com tanta precisão que não só funcionou, como fez amar novamente.

É que a flor é precisa como é (deve ser) o verso? Fico sem saber, mas sei agora que, quem sabe, uma flor, -como as cartas estranhas e secretas dos filmes-, pode ser uma bomba.

São sempre versos de um bicho urbano, estes seus. Me faz lembrar o Ferreira Gullar de outros tempos...

Beijo Yara.

Lara Amaral disse...

Bonito seu blog!

Beijos.

Maria Rodrigues disse...

Yara,

Fora outras belezas, sua poesia tem algo de que gosto muito, a saber:
chama para si questões sérias da própria poesia, que estão aí e muita gente finge não ver.
No mais, belíssimo como sempre.
bjs.

Anderson Meireles disse...

O problema do "acender e apagar de estrelas" é que; ora nos iluminam, ora nos colocam em trevas.

Anônimo disse...

Das flores que vi,
Soube de algumas o nome.
Senti o perfume de quase todas,
Algumas, só pude olhar de longe.
Logo eu que quis orquídeas, que quis begônias
Que quis tulipas...e por elas nutri um platônico amor.
Logo eu que sou toda flores,
Das próprias só tive os cravos, e as marias-sem-vergonhas.

Moa

Cel Bentin disse...

vesperais; lance de veia aberta. e cheia.