19 de ago de 2010

Silêncio IV

As grades dos dentes
retendo a sílaba
o sorriso
o beijo
o penúltimo poema.
Rangentes caninos
regendo as notas
sinfônicas do silêncio.

Silêncio cimentando sequelas.
Entoa sarcástico no estômago
um banzo silencioso.
Dilúvio no copo. No corpo.

Despido de sons
o corpo ainda dança
solilóquio
desnutrido
ossos à vista.

(Quem dera fosse o silêncio
apenas a aliteração deste verso,
triste insistência consonantal)

Ainda em deleite,
o corpo dança
a sátira do ritmo.
Síntese etílica na saliva.

Esquisofrênico
o corpo dança em silêncio.
Sem palavras
sem prosa
sem poesia...

2 comentários:

Elliott disse...

Sem poesia
o corpo dança
desnutrido
um banzo silencioso.

(... quem dera fosse o silêncio
a sátira do ritmo!)

Sem prosa
o corpo ainda dança
insiste,
triste,
entrar
no verso,
sáliva
e sorriso -
síntese
de dentes
e aliteração.

Sem palavras
o corpo
despido de sons
retém a sílaba
cancela o beijo
no copo -
solilóquio
deleite
e dilúvio
do penúltimo
poema.

dany disse...

muiiiito bom! parabéns!