3 de set de 2010

Laços

Deitada ao teu lado
desejo laços.

Ata-me.
Punhos, olhos, pernas, sexos, fluidos.
Atemos
orgasmos em única gota.
Tatuemo-nos
com dentes, unhas.

Reatemos
nossas estradas e paradas.
Jasmins nos cabelos,
poesias em parceria.
Atemo-nos
dançando sons vulcânicos.

Deitados
os corpos atados:
uniforme emaranhado de membros.
Polvo humano deleitado.
As gotas transpiradas,
os fluidos nectares,
nossos elos melífluos
escorrendo pelos vales
entre meus e teus músculos.
Rios antes tão febris magmáticos,
agora repousam:
calmas águas termais.
Enlaçados afluentes.

Deitada ao teu lado
concebo e alucino
idéia mais profunda de laço:
espiralando-nos
nossos DNAs entrelaçados.

3 comentários:

leila saads disse...

Gostaria muito que os DNAs só se entrelaçassem quando desejado. E que tudo fosse, até que se queira, esse atar-desatar-reatar livre, fluido.

Gostei da sucessão de imagens e sensações.

:*

Sandra Regina de Souza disse...

Belíssima amarração! sempre em nós!
bjo

Eduardo Trindade disse...

Gosto de quem ousa intensidades. Palavras, corpos, desejos e sentidos: quem vai se salvar deste entrelaçamento, quem vai querer se salvar?
Muito bom, abraços!