19 de set de 2010

Re-vida

A fera em ti
me rasga.

E eu, ferida,
ainda duvido.

Em mim, a dor
de teus dentes,
de teus olhos camaleônicos.

A mordida animalesca.
A fresca carne
que se rompe sem esforço,
desabotoada.

Púrpuros botões
brotam da fenda.
Porta violentamente aberta
entre os seios.

Minha dor
desgarrada sob tuas garras.
Desfiada entre os dentes.
Desafiada.

Minha dor
presa nas grades da cadeia
alimentar.

Minha dor
seiva quente
escorre em teus caninos
esvaindo vida.

E eu, ferida,
revido!

Nenhum comentário: