19 de set de 2010

Segredo

O clichê da lua cheia
absorveu a umidade do ar
e de pranto inflou-se.
Garoou.
Desorbitado
olho inchado de chorar.

Um amarelo envelhecido
da cachaça entornada
espalhou-se em sua face.
Imensa e redonda
a dor da lua.

Ninguém sabe.
Mas ela é apenas
reflexo satelital,
dor retroprojetada
de dentro do centro
gravitacional
do meu uivo.

2 comentários:

João disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João disse...

A beleza não é nem neutra nem gratuita. É melhor mesmo sabê-la variável, a depender de como o poeta pode vê-la. A ilusão do belo em si mesmo, hoje em dia, produz clichês que nem sequer absorvem no globo ocular a umidade do ar. Não geram pranto.

É assim, também, que o mesmo amarelo da lua nascente pode ser, a um só tempo, o "reflexo satelital" da alegria dos homens alegres de outrora, ou da dor do poeta hoje.