22 de out de 2010

Das posses

O poema
sem dedicatória
verso ouriço em tuas mãos.

É tão teu que o provocaste.
É tão meu,
que ofertado
permanece prole minha.

Mas exposto
ele caminha
solitário prostituto,
ama, serve, cabe bem
a outrem, a qualquer.
Veste as cores
de quem lê.

O poema que te fiz
sem selo, destinatário, remetente,
alcança mais.

Sendo teu o meu poema
não dedico.
Abdico.

4 comentários:

Elliott disse...

Dedico
exposto
mãos a mostra
provoca
a outrem
sem cores.

Oferto
o meu
o teu
selo
caminho
solitário -
poema que
te fiz.

Verso
por verso,
prole
por prole,
boca por
boca...

Abdico
o beijo
que não seja
corte

sangue
de quem
ama
em evidência
o remetente
alcançado.

Anderson Meireles disse...

Sabe fazer poesia com a poesia como assunto de forma ingênua, mas não infantil. É lindo isso!
Abraço!

Anônimo disse...

parabéns pelos poemas lindos!

Raoni Moura e Carolina Zuppo Abed disse...

Olá Yara, tudo bem?
Achei seu contato através do blog do Danilo "Poemismo" e decidi ver seu trabalho. E gostei!
Não sou de ficar elogiando coisas que eu não acho boas só para agradar, aliás, detesto que façam isso comigo.
Mas então, poemas bons os seus. Modernos e cheios de sonoridade. Parabéns, voltarei muitas mais vezes!