4 de out de 2010

Perto

Dançar:
um estar
tão perto.

Doce sangria
esta salsa, este cio.
Tua força
verso vivo
a enlaçar minha cintura.

Tão perto.
Que a acidez transpirada
me transparece.
Que nossas epidermes
são síntese úmida,
simbiose.

Tão perto.
Que nossas células
secretam
seiva e receios.
Como se dançar doesse.
Como se a dor de dentro contorcesse.

Tão perto
que tantas as partes
dos nossos corpos
se beijam
inconsentida
e inconsequentemente.

Tão perto
que nunca perto
o suficiente.

4 comentários:

Anderson Meireles disse...

Ah, o desejo nunca saciado. Retrato de uma vida cheia de paixão! Belo poema, Abraço!

Márcia Luz disse...

Perto às vezes é também uma dor...

Lara Amaral disse...

Ai, que lindo...

Beijo.

Maria Borges disse...

E só por isso danço... Poema certo na hora certa da minha vida. Grande abraço.