13 de nov de 2010

Flores

Entre nós
uma geografia inteira.
Caatingas, cerrados, concretos,
estados, trópicos, fronteiras.

Eu sei.
Não há espaço
para o toque utópico,
o metafísico.
Não há tempo
para o verso
que não caiba
no estilingue.

Mas te prometo
um amanhecer
em que apenas os pássaros
não façam greve,
em que as flores
ousem cobrir
violentamente
o asfalto.

Então seremos,
tu e eu,
flores.

(Para Lee Flôres, pois eu não me canso da expressão pré-fabricada existente em seu nome)

4 comentários:

Elliott disse...

Entre nós
não há geografia
não há espaço
não há tempo
que os versos
não possam transformar.

Te prometo que
o amanhecer
os pássaros
as flores
e as greves
serão
tu e eu -
e seremos nós
a cobrir violentamente
o asfalto.

Raoni Moura e Carolina Zuppo Abed disse...

Que passeio gostoso esse poema. Enche a cabeça do leitor de imaginação...faz a avenida paulista encher completamente de flores, faz o leitor tocar em suas mãos e passear apaixonadamente.

Moara disse...

Faltou só um fuso ai...pra isso tudo virar jardim.

Cel Bentin disse...

na nervura do sonho aceso, quase acordado real.