14 de dez de 2010

Caminhar

O que me alimenta
é caminhar.

Vou me nutrindo
do barro
no qual se fincam meus pés
a cada passo.

Enraízo-me.
Do húmus,
restos, folhas, vermes,
faço seiva e verso.

Saciados
pés de mandrágora
decidem:
E não sem dor
arranco-me
sempre.

5 comentários:

Jorge Manuel Brasil Mesquita disse...

Arrancar-se ao barro e moldar-se à flor da vida. Eis o sonho dos pés que caminham.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 14/12/2010

Cel Bentin disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cel Bentin disse...

o corpo da travessia é todo o caminhante; e lhe exige o desapego das partes. A memória é coração, que passo a passo se expande e inventa de contrair saudade a cada trilha nova. Obrigado por me fazer encontrar um pedaço dos dois aqui.

poemismo disse...

arrancam-se de ti os versos, esses sem qualquer dor, imunes.

J.F. de Souza disse...

nunca pensei no caminhar dessa forma... =)

=*