O que me alimenta
é caminhar.
Vou me nutrindo
do barro
no qual se fincam meus pés
a cada passo.
Enraízo-me.
Do húmus,
restos, folhas, vermes,
faço seiva e verso.
Saciados
pés de mandrágora
decidem:
E não sem dor
arranco-me
sempre.
5 comentários:
Arrancar-se ao barro e moldar-se à flor da vida. Eis o sonho dos pés que caminham.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 14/12/2010
o corpo da travessia é todo o caminhante; e lhe exige o desapego das partes. A memória é coração, que passo a passo se expande e inventa de contrair saudade a cada trilha nova. Obrigado por me fazer encontrar um pedaço dos dois aqui.
arrancam-se de ti os versos, esses sem qualquer dor, imunes.
nunca pensei no caminhar dessa forma... =)
=*
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