24 de jul de 2013

Derrame

Diz o ditado que:
o ditador dita a dor
o governador governa a dor
o trabalhador trabalha a dor
o plantador planta a dor.

E o poeta, sem ofício,
Encantador.

(PAULENRIQUE, 1985)


O governador
governava a dor.
E, súbito, desgovernou-se.

A rua
engarrafou-se de gentes.
Enchentes.
Onde estás?

O poeta,
encantador,
por anos decantado,
preenche-se.
Preenche-me.

(Eu, uma apenas,
da tua prole de poesias)

De dentro de cada grão de mim
observas
as ruas
veias entupidas de junho.
O derrame.

Após 20 anos de morte.

Vivo, o poema
nosso filho
incestuoso
inequívoco
carrega uma bandeira.

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu até queria, mas não conseguirei fazer um comentário a altura dessa bela junção de poesias.
Mas ela me deu ima ideia para nossa eterna vontade de uma publicaçãozinha. Quem sabe uma dupla publicação hem...

Ps: Me arrepiei.

Moa

Lai disse...

Nossa! É divino, como todos os outros poemas. Deliciei-me.

J.F. de Souza disse...

oraora... forte!

(sempre bom vir por aqui... sempre bom.)

saudade!

:*