31 de mai de 2014

Sujo

Meu verso
sonha ser lesma
quando crescer.
Deslizar no seio da pedra.

Mas nasce sujo
na graxa amniótica das máquinas.
Puxado a fórceps
pelo ritmo, rotina,
pela meta métrica.
Esforço repetitivo.

Aprisionado e uniformizado
ele sonha com a brisa
das partes íntimas da noite.
O som do grilo.

Acontece às vezes
de aparecer uma lesma
ousada
gosmando na graxa da máquina.
Aí ele se contenta
e se contamina.

2 comentários:

choco disse...

verso par___ido
rompe as entranhas
da terra mãe

J.F. de Souza disse...

Esse escrito me trouxe uma inquietude, uma vontade de falar... Mas não sei o que falar.
Acho que daqui não vai sair lesma. Não agora.

Adorei o escrito!