26 de jun de 2008

Riso

Se tu ris

este riso doido
descabelado
caliândrico
soprando vestígios

este guizo
epidêmico
múltiplo pólen
contaminando

este riso
despetala-me

24 de jun de 2008

No jardim

Sentiu o pouso
do ser idílico.
Um peso quase lírico.

O par de asas
tinha cheiro de floresta,
de verde-vidro amarelado.
Tinha voz de sal.
E borboleteava sorrisos.
Bicho fugidio, alado.

Observou.
Sorriu com suas cinco pétalas pálidas.
E chorou um orvalho fresco.

Pensou...
- Por que jasmim
não pode metamorfosear-se em rosa?

18 de jun de 2008

Sinestesiada

Aquela saudade doce
melanciada,
vermelha ardia na boca.

O sal dos olhos despedidos.
Alagados olhos,
das mesmas muitas cores
dos mares alagoanos.

(meu calor caribenho)

Perfume
das tombadas carambolas no pomar
rompendo, derramando
amarelamente úmidas
no húmus.

A saliva apimentada
nos lábios.
A cachaça melada,
o mel dos corpos.

A textura branca de jasmim:
aroma preso na pele
arrepiada do frio.
É dia garoado
sob os cobertores.

Subitamente sinestesiada
a inodora, insípida,
anestésica vida.

12 de jun de 2008

Embriaguez

Bebo na tua pele os dias.
Inalo teu corpo etílico,
idílico.

Devoro as cores
licorosas
derramadas
dos teus olhos.

Mordo teu ébrio riso
multiplicado.
Teus beijos líquidos.

Cambaleio
entre as ondas sísmicas
dos teus cabelos.
Perco-me.

E quero-te mais.
Destilado. Gotejado.
Quero-te em muitas doses.
Puro, sem gelo.