27 de abr de 2010

Operária

Em tua cútis,
o que aveluda?
O que muda tonalidades?
O pó não é de arroz,
é de ferro.
Restos de produção,
fina camada maquiada
de cansaço.

Em tua carne operária
despida de ferramentas
é fim de turno.

Em tua boca
sorvo o sono
e o café.

Mordo o músculo
laboral.
O lábio.
Tua tão prima matéria.
Teu insumo.

Engrenamos
entre fluidos lubrificantes.

E o que se produz
neste instante
é inalienável.

24 de abr de 2010

Des-culpa

Perdoa esta mentira
verso de cafeína
falacioso.

Perdoa
pois hoje é verão
e a chuva morna
desmancha máscaras
de machê e açúcar.

Perdoa
a falta de nexo
desta aurora.
Perdoa o prefixo
e o sufixo
crucificados
(eles não sabem o que fazem)

Perdoa
o éter e o heterônimo
fingidor.

Desculpa.

Mas bebe esta mentira
até a última gota.
Pois neste bar
não há dose de culpa.
Só whisky sem gelo.