22 de mar de 2011

Tintura

Não preciso me pintar
para que borboletas
me entendam flor.

Unhas nuas.
O lábio colorido apenas
pelo beijo.
Desprovida de laço de fita.
De rímel, rendas, riscos.

Minhas cores
próprias, únicas,
não escorrem sob a chuva.
Levo-as,
rubras,
no peito.

11 de mar de 2011

Turvo

Em teus negros olhos,
flores de petróleo,
aprendi a ver
coisas que não existem.

Teus olhos
de águas turvas
onde jazem tão misturados
o lodo, a iris, a pupila,
a verdade, a mentira.

No negrume líquido de teus olhos
ergueram-se castelos
de obscuros calabouços.
Devaneios.

Até que um dia
teus olhos de petróleo
derreteram.