23 de fev de 2011

Acalanto

Desperto teu sono pueril.
Meu vinil arranhado
quer te tocar.

Teus dedos
brincam canções
nos meus músculos.
Em teu corpo
faço lira,
me deleito lúdica,
pulo corda
do teu violão.

De teus lábios
brotam pássaros
feitos de devaneio
trinando acalantos.

E em teu colo,
fino lençol
de pele de criança,
adormeço.

17 de fev de 2011

Tangente

Tu tangencias,
tão tântrico.
Lambendo a beira orgásmica da libido.
Língua solar na borda do seio do horizonte.

No ponto único crítico e clitórico
em que me interceptas:
toque tão retilíneo
da ponta dos dedos
sobre minhas curvas;
neste ponto me encontras
tão completa.

É exata e matematicamente
esta tua tanta tentativa de apenas tangenciar
que, inevitável, me perfura.

1 de fev de 2011

Das coisas tuas

Da mágica fecundada
encubada
nas cores do cubo;

da nudez da fruta
penca de peças brancas
despencando do tabuleiro;

do aço cirúrgico
que atravessa
a língua
o peito
e surge e arde urgente
dentro do beijo;

da veia que se salienta tão azul
costurando tatuagens:
marcas
que te maculam;

das pencas de coisas tuas
extraio
destilo
o medo de pisar a uva
e ela vinhar
vingar copo e corpo adentro.