23/01/2010

Planos

Calculo
as (des)coordenadas
absolutas e incrementais.

E mais.
Encontro teu ponto
no infinito.
Fito.

Abro tua parábola,
curva da boca.
Adentro teu centro
bélico.

Mas me perco...

Amar é não ter planos cartesianos.
Improvisamos.

29/12/2009

Camila

(Poema-presente de amigo secreto poético, escrito por mim para Camila Lemos - http://palavrasnofarol.blogspot.com)

O ar denso
de tua ardência
veraniando versos.

Um não saber o sabor
de tua língua,
se siriguela, se graviola.
Tua saliva que acerta
o pingo, a seta,
o ponto certo da calda
e da rima.

Quisera eu ser em dezembro
o versinho mais besta
de tuas alagadas mãos,
tão litorâneas!
Palavras em grãos
no teu corpo de areia morna.

Tu,
de sempre-vivas nos cabelos,
conténs o sal:
nos olhos chorando riachos.
Em versos mares,
que douram sob o sol,
prateiam sob o luar.

Ah, tuas horizon-tonalidades!

Verso-te

(Poema-presente de amigo secreto poético, escrito por Marrí Mota - http://minhasideiaslivres.blogspot.com)


Um quarto escuro, quadrilátero

Num canto confortável

Entre almofadas cor de pêssego

Fresta claridade iluminando o pedaço de papel

Branco, pois não há letra que substancie abstração

Minha mente percorre o que entende de ti

Doce personagem, pintura, idéia de inventor

destinada ao afã de ser amada

Deusa das palavras, desatina em versos

Caudaloso alfabeto a atravessar paredes

Ver-te é banhar-me em bálsamo

Pensar-te é sonhar com os mares

Ora manso, ora tempestade

é deitar-me em lençóis acetinados

Feito tu, alvos

Te imagino puro mel e uma gota de limão

Temperando a suavidade

Salivando meu céu

Escorre de mim um pensamento

Foi-se pelos meus olhos, espalhou por aí

Que és tu amelié, anjo, soul free

És tu o que quiseres, por instantes

Em cada poesia teu abstrato

Não se descreve, converte e rima

Sincronia e tom.

26/12/2009

Um ano

Não foi o tempo que passou,
foi uma música apenas.

O tempo não é linear___idade
não é sólido, líquido, gasoso.

O tempo é o gozo de uma dança
Tem ponteiros compassados
por um tango
por um tanto
de areia.

Pinga
365 gotas na ampulheta
365 passos no salão do sol.

Seu passo não é linha reta.
O tempo desliza a sapatilha
em curvas, voleios...

Não foi o tempo que passou.
É só uma música que finda...

Para que me dês o prazer
de uma nova dança
ao redor do sol.

14/12/2009

sider urge

Dispostos em pilhas
os novelos metálicos
aguardam.

Serão tricotados
os fios de aço.
Tecidos em telas,
treliças tantas.

Serão costurados
nas entranhas de muros,
serão estruturas
suturando concretos.

A trefilaria
fia o fio.
Desafia
o sol de aço.

A solda,
ponto a ponto,
ata a trama
de arame estriado.

O suor ácido
é destilado
na aciaria
dia a dia
em turnos
ininterruptos.

Acaba o café.
O aço-carbono
vira sono.

Regurgito
o gole siderúrgico.
Cogito dias
menos sujos.

Ainda em novelos
o aço aguarda.
Em silêncio.
Linha parada.

É fio imaginário
trefilando
as estruturas dos sonhos.