28 de ago de 2008

In-exata

seria possível
calcular-me resolver-me abstrair-me
descobrir minha raiz
meu xis
meu milesi-mal?

eu
sempre esta tangencial
beirando lambendo tocando
a pele da tua circun-ferida
poética universal

eu
sempre vértice
de um triste prisma
tentáculo retilíneo
de carambola
perfurando-te

eu
tirando-te dos eixos
eu sempre parábola
concha côncava
abrindo-me
infinitando minhas linhas

eu
sempre paralela
para todos para ela
congruentemente cruzada
pelo ângulo de um olhar

eu
tua beatriz, tua bissetriz
dividindo-te
confundindo-te
para não ser sub-traída

eu
(cuidado!)
sempre em minha má-temática
milimétrica mítica
mato

21 de ago de 2008

Fever

a febre
violenta
ventríloqua
adentra o ventre
viru-lenta... delira
mira a miragem
saborosa
antitérmica
antítese do meu deserto:
oásis

15 de ago de 2008

Sem medida

__
-
- Quebradas
- réguas e regras
-
__
- Infinitômetros medem:
-
- os desengarrafados litros
- de sede incontida
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- as infindas unidades de tempo
- gotejadas
- mastigando quilômetros, milhas
-
__
- a saudade em ecos
- de incontáveis decibéis
-
-
__
- os graus celsius febris
- das madrugadas:
- centígrados sentidos
-
__
- E sem rima, sem métrica,
- sem régua,
- somamo-nos:
- Uma unidade desmedida.
__

12 de ago de 2008

Pedaço

Da indecisão
a incisão
.
.
.
.
.
.
Tu
que partes
e és a parte
mais sangrada

Eu
indo
ainda te ardo

Nós,
despedidos,
dois despedaços.

7 de ago de 2008

Mal digerido

Engula
o grito agudo angular,
dor estomacal
mal digerindo
beijos agridoces,
incompletos.

Engula
a gula de viver,
a sempre ânsia
a cirrose
a dor cítrica do acaso.

Engula e devolva
mastigados cuspidos
os sentimentos coloridos
artificialmente.