29 de nov de 2008

Caverna

Teus dedos estalactites:
a gruta em gotas,
taciturna gruna.

A recôndita abriga-te,
derrama em tuas mãos
uma densidade cega,
orgásmica, ígnea.

A concavidade
de úmidos espele-óleos
guarda uma oceânica hipérbole,
um segredo de sal,
solidificado,
calcário.

Tão imenso
que cabe em duas letras:
tu.

14 de nov de 2008

(p)Ouso

Ousar
beber e derramar
teu insólido contradito.

Ousar
desnudar teu não dito.
Desvendar-te.

Ousadia deslizante
(p)ousar-te líquido
em Marte.

Ousar
ex-trair-te o siso em desuso.
Desatinar-te.