15 de set de 2009

Tango

Um tango sempre morre.
Um tanto, no entanto,
escorre.
Coagula sobre o palco.
Plaquetário. Ordinário.

O tango com a rosa
entre dentes, entre tantas,
morre.
Entretanto,
baila tonto nas entranhas,
descostura entrelinhas tênues
e arreganha a saia.
Salta a perna
que desliza
em ângulo agudo.

Contudo,
ainda é tango
e sempre morre.
Uma entranha que escorre.
Hemorrágica
pelas pernas.
O rímel pelos olhos.
A grafia é tanto sangue
que transborda.

Tudo escorre.
Só se estanca
quando grudam
nossos troncos, nossas ancas.

Cada passo que sutura
uma n’outra
as entranhas
é desestranhamento,
acoplamento,
cópula.

No entanto, é tango.
Sempre morre.
Morre em sangue.
Morre em sêmen.

Escorre.

11 de set de 2009

Bacuri

Inseminada
a palavra no ventre.
Fértil frase.

Poema bom
fecunda em nove meses.

Será feminino ou masculino
este tão substantivo ser??
Sobrecomum.

Um.
Filho dos versos
meus e teus.
Tão novo.

É um neologismo.