9 de jun de 2011

Felino

Ficaram expostas as substâncias.
Lambemos tudo
que permanece sobre os pelos
quando o poema ultrapassa poros.

Lambemos
lascas de chuva borrando a janela
e o matrimônico anel de saturno.
Em ambas as línguas
nossos noturnos gomos.

Sob a asa do lençol,
a textura amniótica
do teu colo felino,
masculino útero.

Quando tua língua
secou lágrima acre
de minha pupila vertical,
devolvi
a concavidade serena
de guardar.

Em tua papila
me guardas, doce.
Em minha língua permaneces,
verso.