31 de mai de 2014

Sujo

Meu verso
sonha ser lesma
quando crescer.
Deslizar no seio da pedra.

Mas nasce sujo
na graxa amniótica das máquinas.
Puxado a fórceps
pelo ritmo, rotina,
pela meta métrica.
Esforço repetitivo.

Aprisionado e uniformizado
ele sonha com a brisa
das partes íntimas da noite.
O som do grilo.

Acontece às vezes
de aparecer uma lesma
ousada
gosmando na graxa da máquina.
Aí ele se contenta
e se contamina.

O julgamento da borboleta

Para Moara, cujo nome ousa significar liberdade


Culpada
pelo verso livre
guardado em teu nome
tão infame.

Culpada
por preferir
o segredo aveludado
das tulipas.